A Pinacoteca do Beiru é um espaço de realização da arte que surge em 2021 do ateliê de pintura do artista visual baiano Anderson AC e que se desenvolve, enquanto projeto artístico, a partir de ações de aproximação envolvendo as artes visuais e a comunidade do Beiru, em Salvador, Bahia. Bairro pertencente à região do Cabula, antigo quilombo urbano localizado no miolo da cidade, o prédio próprio que abriga a Pinacoteca está localizado na Rua Irmã Dulce, número 1, bem no início da Rua Direta de Tancredo Neves, fim da Estrada das Barreiras, em uma encruzilhada famosa, que dá acesso a outros bairros como Mata Escura, Sussuarana, Engomadeira. O prédio é datado da década de 1990, passando a abrigar em 2015 um espaço de criação e produção de obras de arte, quando Anderson adquire o espaço para montar seu ateliê de pintura.
Desde o momento em que retira os entulhos do lugar e consegue montar uma estrutura mínima para o início dos seus trabalhos, o artista percebe a curiosidade e o interesse da comunidade pelas artes visuais. Um espaço como aquele, localizado estrategicamente em uma pequena esquina entre a rua principal do bairro e a entrada de uma outra ruela; que parecia abandonado e sem perspectiva de comércio, tornar-se um espaço dedicado à pintura era algo muito novo na comunidade e atraia muitos olhares e sorrisos. Com o passar do tempo, a comunidade foi espontaneamente sentindo-se cada vez mais atraída em estar ali – principalmente as crianças da rua – não só para vê-lo pintar, mas para ouvi-lo falar sobre vida, sobre arte, sobre sua produção e sobre o quê ele pintava.
A partir daquele ano de 2015, a edificação de três pavimentos passou a viver sob um processo de performance constante, sofrendo diversas pequenas reformas pela insalubridade que persistia e pelas poucas condições de trabalho, o que gerou a relação da comunidade com o espaço; da comunidade com Anderson e da comunidade com a própria arte, pois eram muitos os que chegavam para ajudar de alguma forma. Foi desde o primeiro momento, então, que Anderson AC, ao perceber a curiosidade e o interesse da comunidade pelo seu trabalho, sua presença e seu fazer artístico, vislumbra o desejo de um dia transformar aquele lugar em uma espécie de centro de artes, onde pudesse compartilhar da sua trajetória artística; dos seus saberes; da sua história e representatividade enquanto jovem homem negro oriundo também da periferia e artista plástico enquanto profissão. O fascínio das pessoas com o ofício do pintar demonstrava o abismo entre a periferia e as artes visuais, geralmente um tipo de arte pouco acessível por grande parte dos moradores das periferias das grandes cidades brasileiras, uma vez que os grandes centros expositivos e museus estão localizados muito longe de suas casas.
O desejo de Anderson torna-se realidade em 2021, quando o artista se junta à produtora cultural e sua companheira Juliana Freire e, juntos, inauguram a Pinacoteca do Beiru com a realização da primeira edição do Pinacoteca do Beiru Festival de Artes, projeto premiado pelo Prêmio das Artes Jorge Portugal 2020 – Premiação Aldir Blanc Bahia, do Governo do Estado da Bahia. Com o festival, o ateliê de Anderson torna-se oficialmente um espaço voltado também para a comunidade, realizando naquele primeiro momento, as primeiras oficinas artísticas e a primeira produção de pinturas que inicia a formação do acervo museológico dessa que é a primeira pinacoteca da cidade de Salvador.
Grande parte da verba foi utilizada para readequar o espaço, tornando-o minimamente apto a receber os moradores e apreciadores da arte na comunidade. Com o apoio, foi possível reforçar a estrutura do prédio, construir o espaço expositivo do térreo – no formato de uma verdadeira galeria de arte -, levantar as paredes do último andar e colocar teto que até então a edificação não possuía; bem como construção de banheiro, de uma cozinha, instalação de pias, iluminação e também a construção de um estúdio fotográfico, de onde saíram os registros e as inspirações para as primeiras pinturas de Anderson para a primeira exposição no local: “E o Sol é para Todos?”, contando com 20 trabalhos inspirados nos moradores. Essa primeira exposição também contou com cerca de 15 trabalhos oriundos de duas Oficinas de Pintura e Introdução a Processos Artísticos ministradas pelo artista, as quais contemplaram cerca de 30 moradores entre jovens, adultos e crianças, que passaram uma semana inteira aprendendo e produzindo suas primeiras obras de arte, de forma totalmente gratuita, com fornecimento de todo o material e alimentação pela instituição.
As obras produzidas por Anderson para o Festival foram inspiradas nas imagens dos moradores, escolhidos tanto a partir do convite realizado enquanto estratégia de atrair mais pessoas da comunidade (à época, cartazes e folders foram espalhados pela região com os dizeres: “quer virar uma obra de arte?”); ou através do vínculo que possuíam com o espaço e com o dia a dia do artista no Beiru. A partir de fotografia tirada por Anderson durante a realização do festival, foram pintados 25 moradores, cujos trabalhos compuseram a primeira exposição da Pinacoteca denominada “E o Sol é para Todos?”, a qual contou também com os trabalhos resultantes das oficinas de pintura ministradas pelo artista. A partir daí, a Pinacoteca do Beiru passou a se colocar como espaço disruptivo e de criação de pensamento envolvendo a arte contemporânea contra a realidade dada na periferia e do pensamento subalterno, buscando desenvolver o potencial humano que existe ali e que não é pequeno.
As oficinas de pintura do Pinacoteca do Beiru Festival de Arte, ocorridas durante os meses de abril e maio daquele ano, contaram com turmas voltadas para jovens e adultos de todas as idades e também para crianças de 04 a 10 anos. Nos depoimentos finais dos jovens e adultos participantes, preponderaram as falas de que jamais havia existido ali um espaço que oferecesse o que foi ofertado naquela uma semana de encontros e que o projeto precisava continuar. Nas aulas, os alunos tiveram aulas teóricas e práticas, envolvendo temas como a História da Arte desde os primórdios do homem primitivo aos dias atuais; a História da Arte na Bahia do século XIX ao século XXI; os artistas na Bahia no século XIX; A Arte Negra Baiana Contemporânea e os jovens artistas no século XX; e um pouco da própria experiência de Anderson AC nas artes visuais baianas. Chegando na parte prática, os alunos tiveram noções de desenho, estudo da teoria das cores, contato com telas e pinceis e iniciaram suas produções artísticas de forma livre, originando, assim como também ocorreu com as crianças, um trabalho de pintura em tela de tamanho 30 x 40cm por cada participante. Importante ressaltar, que todas as obras resultantes das aulas compõem também os primeiros trabalhos do acervo da pinacoteca.
Nesta primeira iniciativa, em cinco meses de realização das atividades, conseguimos trazer para perto cerca de 40 moradores da região, participando diretamente das atividades propostas pelo festival, seja como aluno da oficina ou sendo fotografado por Anderson compondo uma obra do artista. A mostra contou com mais de 200 visitas presenciais e tantas outras feitas pelo site da instituição, de forma virtual e por meio de tour 360º (https://pinacotecadobeiru.
Ao longo dos quatro de existência, mesmo com as dificuldades de aprovação de novas propostas, a Pinacoteca do Beiru seguiu realizando ações e gerando inúmeros trabalhos artísticos, muitos produzidos de forma espontânea por pessoas da comunidade, dada à sua frequência no local enquanto Anderson manteve ali seu ateliê de pintura. Além das obras originadas em decorrência do festival de artes e dos trabalhos resultantes das oficinas ocorridas no ano de sua inauguração, o espaço apresentou em 2022, a exposição fotográfica do artista Jefferson Araújo de Carvalho, cadeirante, exímio desenhista, fotógrafo e morador do bairro do Arenoso. Partiu de Jeff a ideia de uma mostra de sua autoria, onde ele, a partir da sua condição como pessoa com deficiência, aliada à experiência como aluno de Anderson e também modelo do artista – já que sua imagem também originou um dos trabalhos de “E o Sol É Para Todos?” – juntamente à sua pequena trajetória como fotografo da Biblioteca Comunitária Zeferina Beiru, pudesse fotografar outras pessoas com deficiência. Seu grande objetivo foi destacar, tanto no processo do fotografar quanto nas obras, a beleza que deve ser vista antes da “imperfeição” de uma pessoa com deficiência. A mostra também pode ser visitada virtualmente através de tour virtual disponível em http://www.bahiaview360.com.
Desde o seu início, a Pinacoteca do Beiru chamou a atenção da cidade e do estado, pela relevância da sua proposta e pela trajetória artística e produção intensa de Anderson AC no campo das artes visuais baianas. Diversos artistas e importantes curadores, não apenas da Bahia, mas do Brasil e do mundo, como Marcelo Campos (Museu de Arte do Rio), Lisette Lagnado (curadora da Bienal de SP e Bienal de Berlim), Yina Jimenez (curadora Bienal da Mercosul) e Tomas Toledo (ex curador chefe do MASP) visitaram a Pinacoteca, assim como gestores culturais do Estado e do Município. Recentemente, Anderson AC, que já participou de mostras no continente africano e europeu, atualmente expõe trabalhos nas mostras “Iniciadas”, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (2024); “Raízes: Começo, Meio e Começo”, no Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira (2024) e “Um Defeito de Cor”, SESC São Paulo (2024). Juntamente com a produtora cultural e sua companheira, Juliana Freire, gestora e captadora de recursos da instituição, tem potencializado a Pinacoteca como um espaço museal e também artístico-cultural, expandindo suas ações, ao mesmo tempo em que institucionaliza sua atuação na comunidade, investindo intensamente no espaço físico e em ações educativas dentro do campo das artes em suas mais variadas linguagens.
Em setembro de 2024, a Pinacoteca do Beiru apresentou sua terceira exposição, “A Retomada”, que reuniu, pela primeira vez, trabalhos do acervo da pinacoteca ocupando todos os pavimentos do prédio, num momento de celebração de tudo do que foi realizado ao longo dos quatros anos de atuação do projeto na comunidade do Beiru, em Salvador. São trabalhos produzidos por Anderson AC, bem como de outros artistas, alunos, crianças, jovens e adultos frequentadores do espaço, que tiveram contato com o ato de pintar nesse local que nasce dedicado à realização das artes na cidade, mas que se desenvolve como um ponto de encontro, de respiro e de conexão entre pessoas; de partilha e acesso ao conhecimento, totalmente aberto e gratuito para todos.
“A Retomada” foi fruto de um novo momento vivido pela Pinacoteca do Beiru, que vêm se alinhando, cada vez mais, às perspectivas contemporâneas da museologia com a recente elaboração do seu plano museológico através do qual se define com mais clareza, os valores, as metas e a missão da instituição. “É um momento de retorno após um hiato necessário para repensar os rumos da nossa atuação, dando um primeiro grande passo a uma nova etapa a partir do entendimento do espaço como uma instituição museal e não apenas uma ação artística”, pontua Anderson AC, idealizador e curador da Pinacoteca do Beiru.
Ainda em 2024, em novembro, no lastro dessa retomada após realização de nova readequação do espaço, a Pinacoteca do Beiru recebeu o XI Salão da EBA com apresentação da mostra Fronteiras Flutuantes: Espaço, evento promovido pela Escola de Belas Artes (UFBA), com exposição de trabalhos dos estudantes artistas visuais da UFBA.
Dando continuidade às ações, em um ano bastante especial, de movimentações artísticas e avanços institucionais significativos, ano de 2025 foi o Ano da Pinacoteca. Marcado por uma programação intensa, contínua, diversa, envolvendo cursos, encontros, cinema, apresentações, passeios artísticos em outros locais de realização das artes na cidade, ações para todos os tipos de público, a instituição trabalhou em 3 grandes projetos: O Pinacoteca do Beiru Festival de Artes Visuais – Ano II, projeto que nos inaugura em 2021 e que em 2025 volta em sua segunda edição, com patrocínio da Vale através do Rouanet nas Favelas, envolvendo mais de 70 alunos nos cursos de Processos Criativos em Pintura (com Anderson AC); Fotografia (com Nana Brasil); Serigrafia Criativa (com Pablo Moura) e Pintura para Criança (com Alex Ìgbó); nossa primeira Chamada Artística através de Edital Público para o I Salão de Artes Visuais da Pinacoteca do Beiru, que contou com 303 inscrições e mais de 800 trabalhos analisados para escolha de 32, os quais compõem uma das mostras mais importantes da instituição até hoje. O lançamento vai acontecer dia 25 de outubro e o festival ainda não para por aí, pois ainda serão realizados dois bate papos em escolas municipais do entorno com artistas periféricos nos temas Arte x Periferia, envolvendo artistas mulheres e com deficiência falando de suas vidas, suas trajetórias e como é trabalhar e viver de arte em seus territórios. Além de nova edição da mostra “E o Sol é para Todos?”, contendo novas pinturas inspiradas nos moradores, produzidas pelo artista visual e idealizador do espaço, Anderson AC, fortalecendo ainda mais o processo de valorização das pessoas do Beiru a partir do gênero do retrato.
Em setembro de 2025, integrando-se como parte da programação do Festival de Artes Visuais, a Pinacoteca recebeu o Circuito Arte não é Privilégio, projeto do Museu CÉU – Museu de Arte a Céu Aberto, de São Paulo, que escolheu Salvador e o Beiru como palco de uma mostra à céu aberto, com murais produzidos por importantes grafiteiros como Eder Muniz (Calangoss), Isabela Seifart, Marcio MFR, Marcelo Dimak, Felina, Super Afro, Jeff Araujo, Leonardo Pessoa, Bigode, Niiny Santos, Maria Mariô, Lola, Medusa, Dead, Smol, Smobentre outros. As pinturas aconteceram de 19 a 21 de setembro, mais de 30 artistas envolvidos em mais de 40 murais na Rua Irmã Dulce e o Campo São Paulo, onde a Pinacoteca está localizada.
Para além das exposições marcadas por um olhar decolonial e de ruptura do percursos já conhecidos das artes em Salvador, as ações que vem acontecendo no espaço, não apenas vem aproximando a arte e a comunidade, mas vem ajudando a ressignificar a potência do Beiru através de um trabalho comprometido e cheio de cuidado, marcado por muita efervescência cultural e de realizações de ideias há muito planejadas pelos gestores do espaço.
Um ano de programação intensa, gratuita, pensada e realizada em todos os detalhes pela Equipe da Pinacoteca do Beiru, que esse ano também cresce e se firma no propósito de desenvolvimento do espaço enquanto referência artística. Neste ano de 2025, a instituição conseguiu manter suas portas abertas durante o ano, com funcionamento de terça a sábado, das 09h às 19h, com mediadores culturais da comunidade que abrem e fecham o espaço independentemente de estar acontecendo atividade ou não. Uma equipe que vem sendo treinada dentro dos parâmetros da mediação e educação museais e que vem trabalhando nos programas que possam atender as necessidades do espaço enquanto museu, ao mesmo tempo em que se alinha às dinâmicas sociais da comunidade na qual a instituição está aproximada.
Mais especial ainda porque também foi possível realizar, pela primeira vez, através de recursos da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), uma programação de atividades anual para além do festival, com cursos nas linguagens do Teatro; Canto e Teoria Musical, e Grafitti, esses com mais horas de duração e com turmas no primeiro e segundo semestres; além de uma programação muito especial de Cinema para crianças, com sessões mensais em parceria com o Cinematografinho, além de encontros voltados apenas para as Mulheres em parceria com o Coletivo de Mulheres do Calafate, que há mais de 30 anos constrói caminhos de empoderamento e luta por direitos entre as Mulheres. Todas as atividades totalmente gratuitas.
E não para por aí. Além do lançamento das exposições resultantes do festival de artes visuais construídas ao longo das oficinas e encontros, para finalizar o ano, batalhas de rimas nos fins de semana de novembro, e um evento de encerramento com mais um mutirão de graffiti e apresentações resultantes dos cursos de Teatro, Canto e Grafitti, comemorando o intenso trabalho de 2025 e as sementes plantadas ao longo da trajetória da Pinacoteca do Beiru.
2025 – PROGRAMAÇÃO INTENSA E REALIZAÇÃO DO PINACOTECA DO BEIRU FESTIVAL DE ARTES VISUAIS – ANO II
Após o resultado do projeto de dinamização de Museus, que tornou possível a elaboração do Plano Museológico da Pinacoteca do Beiru e que também deu origem à mostra “A Retomada”, a qual contou com obras do acervo da instituição, a Pinacoteca entra numa fase muito especial e esperada, após alguns anos de tentativa de nova realização do Festival de Artes Visuais, evento que inaugura a Pinacoteca e abre oficialmente as portas do ateliê de Anderson AC para a comunidade.
Com o patrocínio do Instituto Cultural Vale, sendo um dos cinco projetos do Estado da Bahia aprovados pelo Rouanet nas Favelas (primeira colocação), durante oito meses, o Pinacoteca do Beiru Festival de Artes Visuais – Ano II dá continuidade às ações da Pinacoteca do Beiru na comunidade de Tancredo Neves de forma mais robusta e impactante, sendo novamente um grande marco da produção das artes visuais na Bahia, contando com mais atividades, mais oficinas, mais alunos e mais artistas participantes.
Nesta segunda edição, uma nova edição da mostra “E o Sol é para Todos?”, contendo novas pinturas inspiradas nos moradores, serão produzidas pelo artista visual e idealizador do espaço, Anderson AC, fortalecendo ainda mais o processo de valorização das pessoas do Beiru a partir do gênero do retrato. Além dessa exposição, pela primeira vez em território de periferia, uma Chamada Artística nos moldes dos Salões de Artes Visuais vai selecionar 20 obras inéditas para exposição do Festival, dentre os quais 8 serão premiados em formato de aquisição de obra, passando a fazer parte do acervo da instituição.
Nesta segunda edição, também vem sendo realizados os cursos de Processos Criativos em Pintura, com Anderson AC; Fotografia, com Nana Brasil; Serigrafia Criativa, com Pablo Moura; e Pintura para Crianças, cm Álex Ìgbó, todos totalmente gratuitos e que darão origem a trabalhos que também serão expostos nas mostras finais. Mas ainda não acabou, o Festival também vai promover, em parceria com a Biblioteca Zeferina Beiru, dois bate papos envolvendo grandes artistas moradores de periferias falando de suas vias, trajetórias e como é viver de arte e a arte em seus territórios.
Um ano muito especial e de programação intensa, gratuita, pensada em todos os detalhes pela Equipa da Pinacoteca do Beiru. Em 2025, o espaço conseguiu manter suas portas abertas durante o ano, com funcionamento de terça a sábado, das 09h às 19h, com mediadores culturais da comunidade contratados para abrir e fechar o espaço, independentemente de ter ou não atividade, seguindo seu grande objetivo de seguir aproximando a população da periferia às artes visuais. Mais especial ainda porque foi possível realizar, com patrocínio da Prefeitura de Salvador através do Edital Gregórios Ano IV (2024), pela primeira vez, uma programação de atividades anual para além do festival, com cursos nas linguagens do Teatro; Canto e Teoria Musical, e Grafitti, esses com mais horas de duração e com turmas no primeiro e segundo semestres; além de uma programação muito especial de Cinema para crianças, com sessões mensais em parceria com o Cinematografinho, nas figuras dos cineastas Camele Queiroz e Fabricio Ramos; e ainda uma série de quatro encontros voltados apenas para as Mulheres em parceria com o Coletivo de Mulheres do Calafate, que há mais de 30 anos constrói caminhos de empoderamento e luta por direitos. Para finalizar o ano, batalhas de rimas e slans em novembro, e um evento de encerramento com o intuito de apresentar os resultados do Teatro, Canto e Grafitti, comemorando o intenso trabalho e as sementes plantadas.
Um ano ainda mais especial, porque saímos de uma Equipe de duas pessoas para um time de peso, atuante e vibrante, profissionais exemplares que entenderam a importância da nossa atuação e tem nos dado as mãos para a execução do nosso trabalho. Hoje, a Pinacoteca, além da comunidade, do seu idealizador Anderson AC; sua coordenadora de produção, captadora e gestora Juliana; do nosso apoio na comunidade Gilson de Jesus, tem em sua Equipe, as produtoras culturais Talita Cerqueira e Rosimeire dos Santos; os mediadores culturais e moradores da Rua Irmã Dulce, Wanderson Souza Leite (Lauro), Amanda Mendes e Raiane Conceição dos Santos; nossa coordenadora de redes sociais Ana Paula Matos; nosso videomaker e fotógrafo Camilo Lobo e nossa museóloga, Alana Alves.
2025 – A PINACOTECA DO BEIRU SE INSTITUCIONALIZANDO COMO MUSEU
No momento atual, a Pinacoteca está em fase de execução do plano museológico através da atuação da museóloga Alana Alves, com objetivo de seguir adequando o espaço como instituição museal e posteriormente ponto de memória a partir do que se definiu conceitualmente como missão, visão e valores da Pinacoteca do Beiru. O objetivo é trabalhar por uma estrutura organizacional que permita o planejamento de soluções alinhadas à realidade do local, suas dificuldades e carências, ao mesmo tempo que se desenvolve o potencial da instituição como espação de referência artística, capaz de guardar os saberes e fazeres da comunidade do Beiru, bem como das obras de arte produzidas e adquiridas pelo espaço enquanto pinacoteca.
A ideia central é iniciar a implementação dos programas que possam atender as necessidades do espaço enquanto museu, ao mesmo tempo em que se alinha às dinâmicas sociais da comunidade na qual a instituição está aproximada. Para isso, temos tido reuniões semanais com nossa museóloga, no intuito de nos treinar enquanto mediadores e educadores museais, além de visitas a museus da cidade para vermos na prática como os grandes museus funcionam. Nosso acervo também será melhor salvaguardado em local mais apropriado, com ações de conservação das obras, nossas obras e documentos enfim documentados de forma sistemática, teremos regimento interno e inscrição perante o IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus).
A ideia é implementar uma estrutura funcional da Pinacoteca do Beiru, a sistematização do trabalho interno, planejando melhor as atividades, as quais envolvem o alcance do público visitante, os participantes e artistas dos projetos, as exposições, os encontros e os compartilhamentos dos processos artísticos. A forma de atuar da Pinacoteca do Beiru serão alinhados a partir das perspectivas museais inseridas pela museóloga.





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