Festival de Artes visuais - ANO II

“E o Sol é para Todos”, "Beiru Criativo" e I Salão de Artes Visuais reunem cerca de 100 obras, ocupando todos os pavimentos da Pinacoteca do Beiru

O ano de 2025 foi marcado por movimentações artísticas e avanços institucionais significativos para este espaço dedicado à realização das artes, localizado no miolo; no “umbigo” de Salvador, região considerada hoje uma das dez maiores favelas do país. Um ano de realizações de ideias que vinham sendo planejadas há bastante tempo, desde o surgimento da Pinacoteca há cinco anos.

Costumamos pensar que nascemos em 2021 como projeto artístico dedicado a diminuir o abismo entre a periferia e as artes visuais, no processo que transformou o ateliê do artista visual Anderson AC em um espaço aberto, de compartilhamento de saberes e processos artísticos. Criamos uma fórmula cuidadosa e atenta, de realizar ações através das quais é possível experienciar as artes visuais, seja no ato contemplativo ou de criação, de forma orgânica, em um ambiente de verdadeira resistência histórica, longe do centro da cidade, que é o lugar que costuma ser palco das grandes iniciativas no campo das artes visuais.

Se nascemos em 2021, em 2022 abrimos os olhos no MAM/BA, sendo a primeira instituição a ocupar a Galeria 3 do Museu de Arte Moderna da Bahia, inaugurando o Programa de Residência Artística deste emblemático espaço museal da cidade de Salvador. Foi só em 2024 que começamos a engatinhar, elaborando nosso Plano Museológico, refinando nossa atuação no Beiru e iniciando nossa jornada de institucionalização enquanto Museu nessa que é considerada hoje, a maior favela da capital baiana com quase 39 mil habitantes.

Em 2025, sentimos que não somente levantamos, mas começamos a andar, dando os primeiros passos em direção a sonhos maiores, à consolidação da Pinacoteca do Beiru e sua capacidade de oferecer uma programação vasta, diversa, contínua, reafirmando nossa missão por meio de atividades gratuitas, voltadas não somente para as diferentes possibilidades de experiências artísticas e de fruição, mas principalmente para formações que dialogam diretamente com a comunidade. Foram realizados quatro cursos na área das artes visuais que também originaram trabalhos artísticos de autoria dos alunos dos cursos de Processos Criativos em Pintura, ministrado por Anderson AC; Fotografia, por Nana Brasil; Serigrafia Criativa, por Pablo Moura; e Pintura para Crianças, ministrado pelo artista visual Álex Ìgbó. As aulas aconteceram de julho a setembro deste ano, e os trabalhos resultantes evidenciam a força da criação e do compartilhamento de processos nesse espaço que tem se tornado referência artística, pela transformação do Beiru em palco vivo de arte, memória e potência.
 
Nesta segunda edição do Festival, foram mais de 80 alunos, mais artistas envolvidos, mais atividades e o ponto mais alto: nosso primeiro salão de artes visuais, preparado e realizado nos mesmos moldes dos grandes salões de artes visuais da Bahia. 
 
Com quase 100 obras ocupando todos os pavimentos do prédio, apresentamos três mostras resultantes de tudo que foi realizado nos últimos cinco meses com o Festival: o I Salão de Artes Visuais da Pinacoteca do Beiru ocupando o primeiro e o segundo pavimentos, com 32 obras assinadas por artistas de diferentes regiões do Brasil, selecionadas a partir de uma chamada pública que recebeu mais de 800 trabalhos inscritos. Instalados nas escadas e paredes do espaço, os cerca de 50 trabalhos artísticos da mostra Beiru Criativo, desenvolvidos pelos alunos dos cursos de formação nas áreas de Fotografia, Pintura e Serigrafia. Já no terceiro e último pavimento, a segunda edição de E o Sol é para Todos?, assinada por Anderson AC, idealizador da Pinacoteca, com 20 retratos inspirados em moradores e personagens históricos do bairro.
 
Ainda como parte da programação, dois encontros poderosos envolvendo Arte, Cultura e Periferia abrilhantaram o evento, contando com artistas de signifcativa relevância no campo das artes e representatividade em suas comunidades. MC Deusdetih (Marechal Rondon), Jefferson Araujo de Carvalho (Arenoso) – artistas com deficiência; Andressa Monique, Bárbara Felina e Lola – artistas mulheres – mostraram às centenas de crianças das escolas municipais Maria Felipa (Estrada das Barreiras) e Beiru (Arenoso) como a arte se apresentou e pode se apresentar como uma possibilidade de vida para elas. Momentos marcantes para quem acredita na força do coletivo na transformação de territórios periféricos por meio da arte

Conheça cada mostra

O I Salão de Artes Visuais da Pinacoteca do Beiru uma exposição que reúne 32 obras de artistas de diferentes regiões do Brasil, selecionadas a partir de uma chamada pública que recebeu mais de 800 trabalhos, em mais de 300 inscrições de artistas de todo o Brasil interessados em expor na Pinacoteca do Beiru. A iniciativa marca um momento inédito na trajetória da Pinacoteca, sendo o primeiro edital aberto da instituição voltado à valorização da produção artística em diálogo com territórios periféricos.
O Salão premiará oito obras em três categorias distintas, com valores de R$1.000 e R$2.000: Prêmio Yêda Maria, para produções bidimensionais; Prêmio Mestre Didi, para obras tridimensionais; e Prêmio Presente, Arte & Futuro, voltado a artistas com até 18 anos. Os trabalhos vencedores serão anunciados no dia da abertura e passarão a integrar o acervo da Pinacoteca do Beiru, fortalecendo sua missão de promover o acesso à arte contemporânea e ampliar a representatividade de vozes periféricas no circuito das artes visuais.

A mostra “E o Sol é para Todos”, do artista visual Anderson AC, apresenta 20 retratos de moradores e figuras históricas do bairro de Tancredo Neves, realizados a partir de um processo de escuta e envolvimento direto com a comunidade. Inspirada na pergunta provocativa que dá nome à exposição, a série convida o público a refletir sobre desigualdades sociais, representatividade e acesso a direitos, utilizando o gênero do retrato — historicamente reservado a figuras de poder — para destacar rostos periféricos. Com curadoria e produção do próprio artista, a mostra propõe reposicionar essas identidades no centro da narrativa artística, reafirmando a potência simbólica e política da imagem como ferramenta de valorização e visibilidade.

A mostra “Beiru Criativo”  reúne cerca de 50 produções,  realizadas  entre julho e setembro de 2025, pelos alunos dos cursos de: Pintura para Crianças, ministrado por Álex Ìgbó; Processos Criativos em Pintura, com Anderson AC; Fotografia, com Nana Brasil; e Serigrafia Criativa, conduzido por Pablo Moura. Os trabalhos evidenciam a potência criativa da comunidade e reforçam o papel da Pinacoteca como um espaço de formação, experimentação e valorização da arte no território periférico do Beiru, em Salvador.

Ainda como parte da programação do Festival, foram realizados dois bate papos com estudantes das escolas muncipais Maria Felipa e Beiru, com a participação dos artistas Jefferson Araújo de Carvalho e MC Deusdetih (artistas com deficiência) 

Confira fotos do lançamento e de algumas atividades do Festival:

Pinacoteca do Beiru | Todos os Direitos Reservados ®

Rua Irmã Dulce, 1 – Tancredo Neves. Salvador, Bahia

Resolvido pela T2